segunda-feira, 27 de março de 2017

UM VIVER BIG BROTHER

Na absurda década de 1970 o Centro Cultural de Franco da Rocha era bem agitado. Nós, a turminha de Caieiras, como éramos chamados, passamos a frequentar assiduamente o espaço. Atividades a mil ali dentro: música, teatro, feiras, cursos e muitos encontros e discussões.
Quantas vezes chegávamos ali de manhã e só íamos embora no dia seguinte. Nada ali fazia com que a gente se ressentisse do cansaço.
Um dia, o pessoal por ali bundando, sem uma atividade específica, ficamos cantando e tocando violão, sentados no palco. Quase todos os frequentadores habituais estavam por ali, fazendo uma coisa ou outra. Entre tantas músicas, começamos a cantar Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, do Vandré,
- Parem de tocar isso. Não podem tocar isso!!! um grito agressivo que parecia vir do quinto dos infernos, atravessou o Centro Comunitário inteiro. Silêncio geral.
Olhamos em direção ao grito e estava aquela mulher parada no meio do salão. De punhos cerrados, com os braços ao longo do corpo, nos olhando como quem queria nos arrebentar.
Era aquela mulher, não me recordo o nome, muito simpática e sorridente, que passava o dia ali com a gente, conversando, brincando e participando das atividades.
Mais tarde soubemos que era uma agente infiltrada do DOPS.

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